terça-feira, 20 de julho de 2010

Fonte escrita: Empiria ou Discurso?

Caríssimos,
Eis que segue o primeiro texto, onde tento discutir alguns pensamentos acerca do papel da fonte escrita no trabalho do Historiador, um tema que, penso eu ocupa com algum sucesso o cargo de texto-inaugural. Torço para que gostem, mas espero que discordem de cada linha abaixo. E, claro, que promovam o melhor das Ciências Humanas: o debate (mesmo que escrito)!
Eduardo Polidori
Fonte Escrita: Empiria ou Discurso?
“A história se faz através dos documentos”. Essa é a premissa máxima do pensamento oitocentista sobre o trato da escrita da História. Encarada como ciência num tempo onde reinou o positivismo como metodologia ideológico-científica, os historiadores recorreram à documentação escrita como fonte máxima e incontestável para a verificação exata, empírica, do que teria sido uma sequencia inalterável de fatos, absolutamente passíveis de reconstrução.
Criou-se um hábito logocêntrico na produção da Historiografia, independentemente da peridiocidade ou espacialidade tratadas. Os historiadores do século XIX diriam ser Tucídides seu grande modelo magistral, já que o antigo helênico produziu uma obra estritamente factual e respaldada no que era possível, como prova maior, o testemunho ocular. O historiador da Guerra do Peloponeso, depois de cerca de 2000 anos de sua produção, tornava-se referência na recém criada academia dos historiadores europeus.
A documentação escrita passa a ser sinônimo da empiria. Ao historiador, diz o manual de Langlois e Seignobos, dois dos grandes teóricos da história científica, cabe apenas a leitura e a extração dos fatos da documentação, sem qualquer necessidade ou ‘direito’ de reflexão, análise ou interpretação sobre o que está sendo lido no documento estudado.
Da mesma forma, a escrita passou a ditar, no sentido estrito da palavra, a periodização e a limitar o conhecimento de uma época específica ao conhecimento de fontes escritas produzidas nela. Um caso bastante conhecido é a própria definição do que seria a “História” em separação da “Pré-História”. O elemento de distinção é justamente o surgimento e utilização da escrita, datado em seu início por volta de 4000 a.C. Outro exemplo, igualmente pertinente, é a denominação dada pelos historiadores ao período que serve de intervalo entre a “Grécia dos Palácios” e as obras homéricas: Idade Obscura. O obscurantismo de tal período refere-se somente a ausência de fontes escritas, não de completa ignorância dos estudiosos. Estes exemplos, embora propositalmente pouco explorados, revelam o caráter logocêntrico do ‘escrever a História’.
A História do século XIX estava, então, completamente vinculada às fontes escritas, de forma que estas seriam as únicas atestadoras possíveis da tão procurada veracidade histórica. Ao mesmo tempo, porém, eis que surge na Europa outra vertente exploratória do passado dos povos, igualmente subserviente às ideologias políticas da época: a arqueologia. Sua função foi buscar na cultura material um respaldo para a afirmação da identidade étnica. Surge, então, a etnogênese dos povos, uma teoria que buscava as raízes dos povos modernos em povos longínquos temporalmente, mas espacialmente semelhantes.
Na atualidade, porém, diversas pautas tradicionais da História, como a Dark Age grega ou a escrita cuneiforme como limiar da Pré-História, têm sido fortemente contestadas em virtude da recém-utilização da arqueologia em aliança com a história, ou, noutras palavras, em aliança com as fontes escritas, outrora empiricamente hegemônicas no trato documental. Arqueólogos têm descoberto inúmeras nuances de análise através da cultura material de períodos cuja informação sobre era absolutamente escassa.
Mas como pensar a fonte escrita? Como conciliar o que podem fornecer para o pesquisador, seja ele arqueólogo, classicista, antropólogo ou historiador? É isso que pretendo discutir no presente ensaio.
A fonte escrita é, sobretudo, um discurso. Por ser um discurso, é plurifacetal nas interpretações que lhe cabem. Ao ser produzido, o texto visa, obviamente, um alvo, seja ele individual ou coletivo. É claro que a carga de conteúdo varia conforme o público a que ele se destina. Uma carta pessoal não contém a mesma construção textual de uma declaração diplomática. Ambas, porém, têm seu valor, na medida em que respondem a perguntas diferentes do historiador. Mas o texto, sobretudo, revela nas entrelinhas o juízo de valor que o autor fez a respeito do objeto que trata. É, antes de tudo, uma leitura que traduz uma visão particular sobre o tema abordado. No século XIX, pensou-se tal leitura contemporânea ao fato como reprodução metódica da verdade.
Por isso o encaixe perfeito entre a visão da história exata e do método tucidideano: o melhor relato é aquele respaldado na testemunha ocular, ou seja, quem conta melhor é quem, efetivamente, presenciou os acontecimentos. É também por este motivo que a História positivista negou a Heródoto o título de “primeiro historiador”, já que ele se valeu, na construção de sua narrativa, de relatos de outra natureza.
Ao priorizar o relato ocular, ou, em outras palavras, ao adotar os escritos como verdade absoluta na construção do que seria, de fato, a História, escapou aos historiadores durante muito tempo a percepção de que, tais como textos jornalísticos, propagandísticos ou mesmo diários pessoais da atualidade, os textos antigos (leia-se textos não-contemporâneos ao pesquisador) também carregam sentidos conotativos, abstratos e absolutamente alheios a percepção da funcionalidade das coisas daquele que o lê após vários anos após sua confecção.
Não é a toa que a historiografia contemporânea vem carregada de reaberturas de discussões, de reinterpretações de textos e, consequentemente, da realocação de questões ou reinvenção de hipóteses. Cada vez menos exatos, os textos vem sendo interrogados de forma menos sistemática e mais relativizada, de forma que se possam identificar, entre outras coisas, os tais juízos de valor já referidos. Na medida em que toda fonte escrita é uma leitura do que é presenciado, ela passa automaticamente para a qualidade de fonte secundária, ou seja, passa a ser entendida como uma interpretação já carregada de juízo de valor. Desaparece, em última estância, a qualidade maior da fonte primária: o oferecimento de informações concretas, imbuídas de confiabilidade, impassíveis de qualquer escárnio metodológico. Isso simplesmente deixa de existir se adotarmos como pressuposto que toda fonte escrita é, efetivamente, uma fonte secundária, ou seja, uma releitura, um discurso.
Se adotarmos como verdade ser a qualidade máxima da fonte escrita o caráter discursivo, é natural que pensemos, paralelamente, serem as conclusões retiradas de sua leitura absolutamente respaldadas na interpretação pessoal do analista. Isso, de certa forma, produz uma colisão junto à ideia tradicional sobre o trato da História, que seria a busca, nestes documentos, por informações concretas sobre o passado.
A fonte escrita, então, deve se privar de revelar alguma verdade histórica sobre o passado. Aliás, faz-se necessário um acréscimo: entendo por verdade histórica todo aquele fato dito imutável, indiscutível. Ao contrário, talvez os escritos documentais produzam muito mais inverdades do que propriamente fatos mergulhados em concretude. Como discursos, no entanto, estão repletos de, como dito anteriormente, juízos de valor. Entender o que está sendo dito não é simplesmente extrair as informações ali contidas. É, antes de tudo, entender como o autor produziu aquele texto. Metáforas, conotações de palavras, exemplos, descrições, entre outros, fazem parte do que verdadeiramente passou a interessar e a contribuir para o ofício dos intelectuais por isso ocupados.
Afinal, documentos de caráter discursivo não podem ser encarados como outra coisa, senão como discurso. Coube, então, o estudo de como tais discursos eram feitos. Isso inclui, obviamente, o estudo do autor em si: sua posição social, sua filiação religiosa/intelectual, entre outros. Ademais, o destinatário daquele discurso é da mais profunda importância, justamente por revelar muito de como o discurso em si é construído. Os propósitos daquela produção, em igual estância, fazem-se relevantes. Se traduzíssemos tais propósitos numa indagação, ela seria simplesmente sobre qual seria o objetivo daquele discurso. Os juízos de valor identificáveis nele podem revelar muito sobre a sociedade na qual viveu o autor.
Há de se considerar também que as interpretações feitas a respeito dos documentos são tão incrustadas de caráter discursivo como os próprios documentos. Sendo assim, o profissional, como obra-prima das influências de seu tempo, deverá embutir ideias e preceitos quase organicamente alojados em sua formação intelectual e fazê-las reproduzir em sua própria interpretação. Infere-se, dessa forma, que cada obra guarde uma ‘marca metodológica’ do tempo em que ela foi produzida. Logo, na medida em que, por exemplo, a historiografia sobre um tema aleatório pode revelar o pensamento do historiador sobre o objeto de estudo, pode também trazer a luz elementos teóricos comuns à época daquele autor. Em suma, historiografia também faz parte do estudo da História, pois tanto o documento quanto o que se escreveu sobre ele gozam de juízos de valor específicos, já que são produtos de seu tempo.
Os documentos escritos revelam, sim, alguns parâmetros úteis para os pesquisadores no que respeita a época em que viveram seus autores. Não é no passado, todavia, que devemos concentrar a percepção do documento, mas sim no presente. Os discursos escritos herdados por nós de passados distantes jamais poderão ser recuperados em sua essência, pois o tempo modifica tanto as palavras quanto o uso daquelas que se mantêm semelhantes. De um modo geral, o tempo modifica a língua. Se não inalcançáveis, creio serem as fontes escritas distantes das interpretações que lhes foram cabidas. Novamente, tais interpretações são da mais absoluta valia para percebermos que as leituras, sejam de cartas pessoais ou clássicos latinos, de nada têm de antigas, pois refletem o nosso tempo. São, desse modo, absolutamente contemporâneas.

18 comentários:

  1. Interessante tema, que não somente aos profissionais da área como à curiosos e estudiosos os quais venahm a se interessar por ler história de forma mais profunda, seu texto aborda panoramicamente os principais aspectos.
    Espero que continue publicando bons textos como esse!

    Caio Zanini

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  2. Como eu estava dizendo, gostei muito do seu texto meu caro.
    Temos de considerar todos os aspectos envolvidos quando lemos um texto, e inclusive avaliar todas as condições nas quais o autor estava inserido, visto que isso pode influenciar positiva ou negativamente.
    E atrevo-me a dizer que se não fosse pela escrita, não seríamos nem metade do que somos hoje.
    Continue assim!
    Beijos!

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  3. Seu texto me lembrou as aulas de Metodologia. Você é muito nerd Du hauhaieuhaiuhiuaeh

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  4. Aiai, saudade de estudar arqueologia >.<
    Muito bacana o texto! Já conversamos sobre esse assunto algumas vezes né? Tem pano pra manga, fato...

    Saudade docê, by the way.

    Beeeijo! ;)

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  5. Bruna Bertuccelli21 de julho de 2010 20:03

    Interessantíssimo para que possamos refletir sobre o juízo de valor implícito num texto e que não podemos dotá-lo como uma verdade absoluta.
    Sua reflexão só me faz acreditar ainda mais na importância e na complexidade da História e me faz pensar, consequentemente, o quanto deveria ser mais valorizada, principalmente no Brasil. Mas, enfim, isso é tema para outro texto né? hehehe
    Beijos, Du!
    Continuarei te seguindo por aqui!

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  6. Escrita excelente, Du. Só vi um erro de português em um verbo, quase imperceptível.
    O tema abordado foi fascinante para um início e as palavras que vc usou pra tudo isso me deixaram perplexo e feliz. =)
    Mas, como todo bom historiador... haha
    Algumas questões que sempre me deixaram confuso com relação à essa clasificação muito exata de primário ou secundário (intencional ou não intencional e por aí vai) envolve essa questão da escrita. Uma coisa das unicas coisas que aprendi com as aulas de geografia foi análise foucaultiana da existencia de discurso nos objetos... e, aqui amplio essa análise aos fatos. Afinal, me parece um tanto impossível a análise desse objeto primário, o 'fato' (e nem defini como 'histórico', afinal, isso que define somos nós, historiadores, àqueles que julgamos terem essa característica). A fonte primária é inalcansável e aí, qualquer verdade, seja empírica ou não se torna impalpável. Ora, se os próprios objetos e fatos carregam um discurso... logo nos vemos numa fogueira sem fim! As multifaces de um discurso historiográfico então são imprescindíveis, imprevisíveis... Cabe-nos analisar, comparar, com os pés no chão essas multifaces... e estabelecer numa historiografia as que sejam mais sensatas. Isso, claro, se estivéssemos completamente 'limpos' e fôssemos juízes cegos daquilo que escrevemos. Faleremos e discutiremos séculos mais sobre o discurso e as interferências do historiador, mas não encontraremos alguma saída suficientemente ideal para o problema.

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  7. Partindo para um ponto menos metafísico... A questão do 'contexto', palavra que alguns professores que assisti aulas frisavam bastante ao tratarmos de quaisquer fontes, foi evocada no seu ensaio indiretamente. Entretanto, acredito ainda assim que seja criar um juízo de valor bastante arriscado quando se diz de interpretar um discurso em torno do pensamento do autor e ainda mais da própria mentalidade da época. Se as pessoas mentem, os documentos também não podem fazer por menos. Afinal, para que finalidade servem os documentos? Acredito que existam tantas suficientes para que uma tradição oral permaneça sob o véu de uma outra tradição (escrita e/ou oral) imposta por razões muito claras de vida ou morte: a continuidade de culto aos deuses astecas, às escondidas, enquanto a Igreja acreditava ter catequizado milhares de índios no México. Ou então, os anais históricos cheios de datas, escritos pelos índios, como atestado de que a terra que ocupam hoje são deles há séculos - quando não necessariamente o eram, - inidicando um uso peculiar de uma fonte escrita, que certamente confundiu historiadores até que se pudesse olhar com mais sensatez e enxergar, numa perspectiva comparada - aí sim - o valor do documento para o autor e sociedade em que este vivia.

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  8. Esse, na verdade, é o ponto que quero chegar: perspectivas de comparação. Há quem xingue os antropólogos como hereges por cometerem o pecado do anacronismo. O contexto temporal, entretanto tambem pode se valer muitas vezes de análises atemporais em torno de processos semelhantes em ações políticas, culturais ou sociais, por exemplo. Dessa forma sim é possível trazer à contemporaneidade o discurso passado. Dentro do seu contexto, mas em perspectivas comparadas. As interpretações oitocentistas já foram revistas e revistas, mas ainda continuamos longe das outras ciências sociais e, muitas vezes, longe de nosso trabalho mesmo. Sem dúvida não é tarefa fácil trazer o passado para o presente e compreender o quanto ele está vivo em nosso dia-a-dia. Está tão alojado em nossos dias, com outros significados ou cobertos por algum véu fino de costume que acabamos por não enxergar. E assim a história nos parece longe de nós, quando está imbricada profundamente e, as vezes, até descarada.
    As ideias estão muito boas, Du... espero que minhas confusas confusões aqui sejam de algum interesse ou mesmo só expandam o que vc disse. Se elas não satisfizerem nenhuma das duas, fico com a terceira: mera opinião, desinteressada de grandes elogios, a não ser que sejam alguns dos melhores e mais desejosos xingamentos.
    Abraço!

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  9. Du, tenho uma objeção a tal passagem:
    "Afinal, documentos de caráter discursivo não podem ser encarados como outra coisa, senão como discurso (1). Coube, então, o estudo de como tais discursos eram feitos. Isso inclui, obviamente, o estudo do autor em si: sua posição social, sua filiação religiosa/intelectual, entre outros (2)."
    Em (1), eu tneho uma discordância apenas na definição. Creio que documentos discursivos não são discursos, mas documentos possuidores de discurso, e não só. Possui sua própria materialidade, uma propriedade que foge à do simples discurso. Em (3), vc se esqueceu do principal: o caráter temporal do discurso. Claro que isso é muito abrangente e tudo está inserido nele, mas ainda assim me parece ser o essencial. Acho que vc concordaria comigo, uma vez que vc tratou muito bem desse aspecto temporal no resto do seu texto, sobre o caráter histórico da fonte escrita, do dialogo entre historiador e fonte, entre temporalidades diversas, etc.

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  10. Eduardo,

    achei super bacana vc ter criado um blog. E descobri por acaso visitando seu orkut. No início do ano passado, quando começaram as aulas, eu também criei um para atuar como meio de reflexões de cunho metodológico sobre a História. Mas hoje acabo falando de tudo. Na época eu até insisti muito para o Gustavo criar um! Eu também insisti um pouco para a Gabi criar!

    Adorei o seu primeiro texto, principalmente a parte de definição de clássicos: "Mais: o clássico nunca desaparece. É reinventado, repensado, adornado, enfeitado. Mas nunca desaparece."

    Depois eu volto aqui para dar uma olhada neste último texto.

    Beijos e parabéns pela iniciativa!

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  11. E ai Du. Achei louvável sua iniciativa de um blog para discutir história. Achei seu texto muito bem escrito, seu estilo é muito gostoso de ler. Foi uma exposição bem interessante e remete a uma discussão milenar: o "Documento/Monumento". Acho que, apenas como sugestão, como reflexão para um futuro texto, a perspectiva de pensar o "caracter historiográfico do documento e o caráter documental da historiografia". Você começou a tocar nisso no fim do texto e acho que seria uma boa continuação.
    Abraço

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  12. Tucídides! \o/
    Isso me lembra aula do Murari...tô vendo que seu blog vai fazer eu me lembrar muito das aulas do Francisquinho ^.^

    Piada do ano:
    - Professora, a senhora acha importante eu procurar ler Seignobos? - Pergunta o bixo Polidori
    - Ah, sim. É importante para ver como as pessoas pensavam há cem anos atrás...
    - Época em que ela se formou!!! - Adiciona o companheiro Ronaldo
    ahuahuahuahuahua, foi mais ou menos assim...rachei o bico aquele dia :P

    Quanto ao texto, achei muito interessante a reflexão! Continue postando bastante!

    ps. vou me abster de uma análise mais profunda do seu post já que estou na última semana de férias e só voltarei a pensar na semana que vem :P

    Beijos!

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  13. Só pra te encher o saco:

    "Um clássico é algo que toda a gente queria ter lido mas que ninguém quer ler."
    (Mark Twain)

    :D

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  14. Fico muito contente com a participação de todos vocês. Agradeço a boa-vontade pela leitura e, mais ainda, pelos comentários. As sugestões feitas serão seriamente pensadas.

    Particularizo duas respostas à dois comentários. Ambas se dirigem a grandes amigos meus, Gorobets e Gustavo.

    1) Goró, a perspectiva comparada da análise do discurso está plenamente vinculada à historicidade do mesmo. O mesmo discurso poderá ser analisado em várias épocas diferentes, sendo que cada uma delas influenciará seu autor a enxergar esse discurso de forma diferente. Sendo assim, os autores trazem o documento para seu presente, elaborando um discurso que ofereça a este mesmo presente alguma contribuição. Comparar esses discursos e trabalhos feitos sobre o discurso contido na fonte escrita é, penso eu, um dos trabalhos do historiador. É assim que podemos entender a História e seu movimento... Não apenas através do documento, mas também como um mesmo documento foi enxergado em diversas épocas. Não sei se consegui me fazer claro, Goró, nem se entendi o que de fato quis dizer.

    2) Gustavo, eu concordo plenamente com o fato de o documento escrito possuir uma materialidade intrínseca. Essa é, aliás, a propriedade máxima do documento, não? Como um documento existe sem materialidade?
    Em relação ao segundo ponto ressaltado, juro que não entendi. Pensei que a ideia da temporalidade do discurso tivesse sido presente durante toda a exposição, pois foi uma das minhas maiores preocupações. Talvez na passagem selecionada não tenha ficado tão claro, mas, se no corpo do texto você não a percebeu de forma tão notável, acredito ter sido uma grande falha minha.

    Mais uma vez, agradeço imensamente todas as contribuições.

    Um grande abraço a todos,

    Eduardo Polidori

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  15. Que isso Du, eu mesmo destaquei que a questão da temporalidade foi muito bem explorada no seu texto. Só chamei a atenção para aquela passagen mesmo
    Gustavo Velloso

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  16. Claríssimo Du. =)
    Minhas críticas/conversês/debatès vão sempre girar em torno de melhorias, claro, para o pensamento de todos nós. =)
    Abraço!

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  17. É muito bom ler os textos do Edu, sempre muito bem escritos e passíveis de serem estendidos ao debate, a principal maneira de desenvolver o pensamento. A questão colocada de maneira belíssima a respeito do juízo de valor me trouxe à cabeça dois itens que gostaria de compartilhar. O primeiro deles diz respeito ao conceito de
    História imbutido em nossos discursos (me refiro aqui à história como processo, não como
    disciplina). Afirmar que um documento escrito é mais ou menos válido que outro para entender
    determinado fato, mostra claramente uma visão, digamos, simplista da história. Nesse sentido, a história é vista como uma sequência de acontecimentos concretos, cabendo ao historiador identificar as fontes mais apropriadas para encontrar a verdade, ou seja, aquilo que realmente aconteceu. A partir do momento, porém, que admitimos a complexidade pela qual os fatos pretéritos são assimilados por cada indivíduo, entendemos que existem múltiplas verdades a
    respeito do mesmo acontecimento. O juízo de valor, então, atua como instrumento crucial para a análise não só de documentos escritos como de qualquer outra fonte. Não há uma única história.
    O segundo item compreende a maneira como entendemos sociedades anteriores à nossa. Quanto mais distante no tempo é uma sociedade, maior é nossa tendência a crer que seus indivíduos pensavam o mundo ao seu redor de modo semelhante. Hoje em dia, se pensarmos em como nosso vizinho pensa o mundo, teremos a plena certeza de que suas concepções divergem em grande medida das nossas, mesmo pertencendo a uma mesma classe social e a um mesmo círculo de convívio. Por outro lado, o mundo não contemporâneo tendo a ser visto por nós como algo relativamente homogêneo, em que os interesses se esgotam nas diferentes classes ou, quando muito, famílias. O juízo de valor de cada indivíduo, presente em fontes escritas, nos faz entender que havia uma complexidade muito maior nessas sociedades do que podemos conceber.
    Ambas as ideias colocadas por mim estão presente, de uma maneira ou de outra, em seu texto, mas também estou aberto a críticas suas. Parabéns pela iniciativa, Edu!

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  18. Meu caro, Eduardo, teu texto aborda temas apropriados para a discussão acerca da pesquisa histórica e sua aproximação às Ciência Sociais, à Psicologia e à literatura. Todavia recomendo que utilize as aspas quando lançar à mão fragmentos de textos de outro autor. Mas acredito eu que não foi de má fé. Parabéns.

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